sexta-feira, 9 de abril de 2010

PARA APRENDER COM OS MESTRES José Neres (Professor de Literatura e Escritor)

Ao longo de nossa História, o Ser Humano vem mostrando que a capacidade de adaptar-se ao ambiente e adaptar o próprio ambiente são duas de suas maiores características. O químico Lavoisier sintetizou tudo isso em uma frase que corre o mundo: “Na natureza, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Essa máxima pode ser usada também com relação ao processo literário. Nas letras também tudo se transforma, tudo pode ganhar nova roupagem. De repente, o que parecia fora de moda ressurge com gostinho de novidade. Então, uma frase tantas vezes já dita e ouvida volta ligada a tantas outras também já inúmeras vezes repetidas, e o novo conjunto forma um imenso e intenso mosaico de citações, como já foi dito por Julia Kristeva.

O que lemos nas páginas dos bons autores não se esvai com o fechar dos livros. Muito pelo contrário, permanece vivo em algum lugar importante e protegido de nossa memória. Um dia, as informações que outrora foram prazer, sofrimento ou dor podem voltar em composições que, por mais que pareçam formadas de peças antigas, assumem a aparência de novidade. Aí está a glória da pessoa criativa: fazer surgir o novo de onde os outros seres enxergam apenas o passado sem volta.

Autora de vários livros e leitora experiente, Cristiane Mesquita foi buscar exatamente nesse passado talvez esquecido, porém imorredouro, o fio verbal antigo que, uma vez entrelaçado com a vitalidade dos fios verbais de hoje, servirá para tecer o novo. Assim, partindo de um inusitado encontro de diversos escritores e pensadores, a autora discorre sobre temas diversos que acabam desaguando na melindrosa discussão sobre, verdade, educação e o autoconhecimento.

Homens e mulheres discutem acerca de verdades e possibilidades que marcaram a existência do Ser Humano. Aos poucos, pensadores e escritores que vão do clássico Sócrates até o contemporâneo José de Ribamar Fiquene, passando por Voltaire, Fernando Pessoa. Neruda, Sêneca, Clarice Lispector, Darcy Ribeiro, entre outros. As discussões entre os intelectuais são às vezes brandas, mas não raro ficam ácidas, pois nem sempre é fácil, mesmo para os mais preparados dos homens, conviver com as opiniões contrárias.

De modo bastante agradável, Cristiane Mesquita faz uma bricolagem com recortes estratégicos dos pensamentos mais significativos dos autores que marcaram sua formação intelectual. Alguém pode até achar que “A LOUCURA PRÓPRIA ENTRE SEUS PARES... Encontro erudito” seja apenas uma montagem de frases alheias, mas, conforme foi dito anteriormente, a criatividade está em saber usar o que muitos já usaram, mas com um sabor de novidade.

Nas páginas deste livro, o leitor poderá, ao mesmo tempo, fazer um breve mas consistente passeio pela história da literatura e da filosofia, divertir-se e fazer muitas reflexões sobre a própria condição da nossa limitada existência. Basta traçar seus objetivos e mergulhar no mundo mágico que se descortina por trás de cada página e de cada diálogo que é possível travar com alguns dos maiores mestres do pensamento ocidental.

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